quinta-feira, 9 de julho de 2015

Depressão e Fé - Por Padre Clayton Nogueira

Bacharel em Psicologia
Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima - Lavras
A depressão é assunto popular, é a doença do tempo contemporâneo. Muitos discutem no senso comum como: “frescura”, “Falta de fé” ou “falta de trabalho”. Mas é preciso afirmar que Depressão é doença grave que pode levar a morte. A CID 10, F32 define a Depressão como: “Perda de humor, de interesse pela vida, de prazer com redução da energia levando pessoa a uma fadiga aumentada e atividade diminuída. Tendo cansaço marcante após esforço leve, diminuição da concentração e atenção, baixa alta estima e redução da confiança. Excesso de ideias de culpa e inutilidade, visão desolada e pessimista da vida no futuro, ideias persistentes autolesivas ou suicídio. Sono perturbado e apetite diminuído”. Estes são os sintomas mais comuns desta doença, que pode atingir qualquer pessoa. Ela não escolhe idade, cultura, nacionalidade, poder aquisitivo ou credo. Os especialistas a define como leve, moderada ou grave. Em qualquer situação necessita de acompanhamento e tratamento. Lembrando que depressão não e “frescura” e nem ”falta de fé”, mas, doença grave. As pessoas que tem fé podem ter depressão. Embora a fé ajude a dar um sentido para a vida, e nesta busca a pessoa pode sair do quadro depressivo (dando um novo sentido para vida) e consequentemente a fé ajuda na organização do modo de viver melhor. Em contrapartida, não se pode negar os métodos sérios da pesquisa cientifica como a psicologia em diversas terapias e a psiquiatria com a medicação no tratamento da depressão. Precisamos da ciência e da fé, elas são parceiras da vida e necessárias para o bem estar da pessoa humana. A cura da depressão nos remente ao que fazia Jesus nos Evangelhos, quando os enfermos eram apresentados a Ele. Como Jesus, o psicólogo ao tratar da pessoa deprimida se “aproxima de quem sofre, sem pressa, com discrição, respeito total, ajudando a lutar contra a depressão, dando lhes força para superar o mal que a faz sofrer. Não estando preocupado com suas mudanças de ânimo ou irritabilidade. Tendo paciência. É importante escutar aquilo que a pessoa traz dentro de si: Esperanças frustradas, queixas, medos e angustias do futuro. É um alivio para o deprimido poder desabafar com uma pessoa de confiança, “não é confissão”, é escutar (= estar no lugar daquele que sofre), sentindo suas palavras, seus silêncios, gestos e olhares. Só a presença de quem acompanha com carinho e respeito à pessoa pode trazer alivio a quem sofre” (PAGOLA). Jesus fazia isto com maestria e curava. Foi o que fez com a sogra de Simão Pedro: “Aproximando, estendeu a mão, levantou-a e ela ficou curada e passou a servi-los” (Mc 1, 31). Entendam bem: “A medicina concentrou-se em curar órgãos e outras disfunções, a pessoa é muito mais que um ‘caso clinico’, não basta curar uma enfermidade e doença. É o ser humano que precisa ser curado” (PAGOLA). Qualquer pessoa de fé pode ter depressão. Isto não é fraqueza é doença, e a fé pode ser um auxilio na cura deste mal contemporâneo.