sábado, 26 de dezembro de 2015

Dia 26 de dezembro - Memória de Santo Estêvão

Santo Estêvão é chamado de Protomártir, ou seja, ele foi o primeiro mártir de toda a história católica. Nos capítulos 6 e 7 dos Atos dos Apóstolos encontramos um longo relato sobre o martírio de Estêvão, que é um dos sete primeiros Diáconos nomeados e ordenados pelos Apóstolos. Santo Estêvão é chamado de Protomártir, ou seja, ele foi o primeiro mártir de toda a história católica. O seu martírio ocorreu entre o ano 31 e 36 da era cristã. Eis a descrição, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos: “Estêvão, porém, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Levantaram-se então alguns da sinagoga, chamados dos Libertos e dos Cirenenses e dos Alexandrinos, e dos da Cicília e da Ásia e começaram a discutir com Estêvão, e não puderam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. Subornaram então alguns homens que disseram: ‘Ouvimo-lo proferir palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus’. E amotinaram o povo e os Anciãos e Escribas e apoderaram-se dele e conduziram-no ao Sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que disseram: ‘Este homem não cessa de proferir palavras contra o Lugar Santo e contra a Lei; pois, ouvimo-lo dizer que Jesus, o Nazareno, destruirá este Lugar e mudará os usos que Moisés nos legou’. E todos os que estavam sentados no Sinédrio, tendo fixado os olhares sobre ele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo”. Num longo discurso, Estêvão evoca a história do povo de Israel, terminando com esta veemente apóstrofe: “‘Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, resistis sempre ao Espírito Santo, vós sois como os vossos pais. Qual dos profetas não perseguiram os vossos pais, e mataram os que prediziam a vinda do Justo que vós agora traístes e assassinastes? Vós que recebestes a Lei promulgada pelo ministério dos anjos e não a guardastes’. Ao ouvirem estas palavras, exasperaram-se nos seus corações e rangiam os dentes contra ele. Mas ele, cheio do Espírito Santo, tendo os olhos fixos no céu, viu a glória de Deus e Jesus que estava à direita de Deus e disse: ‘Vejo os céus abertos e o Filho do homem que está à direita de Deus’. E levantando um grande clamor, fecharam os olhos e, em conjunto, lançaram-se contra ele. E lançaram-no fora da cidade e apedrejaram-no. E as testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um jovem, chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão que invocava Deus e dizia: ‘Senhor Jesus, recebe o meu espírito’. Depois, tendo posto os joelhos em terra, gritou em voz alta: ‘Senhor, não lhes contes este pecado’. E dizendo isto, adormeceu”.
Fonte- http://santo.cancaonova.com/

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Dia 25 de dezembro - Solenidade do Natal do Senhor Jesus

Acompanhemos o testemunho da Palavra de Deus a respeito deste acontecimento que transformou a história da humanidade: “…José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida. Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: ‘Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor’.” (Lc 2,4-11) Por isso hoje celebramos a eterna solidariedade do Pai das Misericórdias que, no seu plano de amor, quis o nascimento de Jesus, que é o verdadeiro Sol, a Luz do mundo. Este não é um dia de medo e nem de desespero, é dia de confiança e de esperança, pois Deus veio habitar no meio de nós, e assim encher-nos da certeza de que é possível um mundo novo. Solidário conosco, Ele nos quer solidários neste dia de Glória que refulge ao redor de cada um de nós! Sendo assim, tudo neste dia só tem sentido se apontar para o grande aniversariante deste dia: o Menino Deus! Presépios, árvores, enfeites, banquetes e os presentes natalícios representam os presentes que os Reis Magos levaram até Jesus, mas não são estes símbolos a essência do Natal. O importante, o essencial, é que Cristo realmente nasça em nossos corações de uma maneira nova, renovadora, e que a partir daí, possamos sempre caminhar na sua luz solidária deste Deus Único e Verdadeiro, que nos quer também solidários uns com os outros! Vivamos com muita alegria este dia solidário, que o Senhor fez para nós!
Fonte- http://santo.cancaonova.com/

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal: celebrar a paz - Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)

Diante dos cenários mundiais e das suas complexidades, mais do que nunca é preciso viver o Natal como oportunidade para celebrar a paz. Os votos natalinos, os projetos que nascem nesta festa, precisam ser transformados em propósitos e compromissos com a paz. E a concretização dessas metas assumidas só será possívela partirda referência fundamental da celebração de hoje: Jesus Cristo. Prescindir da pessoa que é a razão do Natal significa a precipitação de processos, por falta de consistência e grandeza. Não se conquista a paz simplesmente transcrevendo as intenções e indicações nos papéis documentais. Afinal, essas metas e promessas habitualmente não são cumpridas ou efetivadas. Fóruns, conferências, reuniões, cúpulas, tantos outros mecanismos de congregação de representantes e debatedores não têm força para garantir avanços mais significativos rumo à paz.  A dificuldade em efetivar aconvivência pacíficarelaciona-se coma carência generalizada do sentido de alteridade. Na atualidade,os indivíduos não exercitam a fundamental competência que rege a fé cristã como princípio determinante: a consideração da importânciado outro. O que de fato tem contado mais é a preocupação com os próprios interesses, a manutenção de comodidades, o desânimo para fazer avançar projetos capazes de mudar os rumos da sociedade. Celebrar o Natal como compromisso de trabalhar pela paz contribui para corrigir esses descompassos. Exige a capacidade de dar centralidade existencial à pessoa de Jesus Cristo. O nascimento de Jesus é o selo que patenteia a marca maior de Deus:o seu amor. É a oferta feita pelo Pai Misericordioso de seu Filho amado, o Salvador. A consideração de sua vinda ao encontro da humanidade e a generosidade de sua oferta incondicional são desconcertantes e têm força para vencer toda lógica do egoísmo e da mesquinhez. O Natal hoje celebrado está balizado pela sapiencial indicação da vivência da misericórdia, meta do Ano Santo Extraordinário convocado pelo Papa Francisco. É oportunidade para se viver experiências novas capazes de fazer com que cada pessoa seja instrumento de promoção da paz. Sem o exercício da misericórdia os povos não encontrarão o caminho da paz, os inimigos não se abraçarão e não se conseguirá vencer a terrível “globalização da indiferença”, apontada pelo Papa como um grande mal deste tempo. Este Natal merece ecoar como voz forte nos corações pela singularidade de ser celebrado no horizonte da misericórdia. Francisco acentua que com o Jubileu da Misericórdia quer “convidar a Igreja a rezar e trabalhar para que cada cristão possa maturar um coração humilde e compassivo, capaz de anunciar e testemunhar a misericórdia, de ‘perdoar e doar’, de abrir-se ‘àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática’, sem cair ‘na indiferença que humilha, no hábito que anestesia o espírito e o impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói’”. O Natal é, pois, o compromisso sério e inarredável de todo aquele que crê em Cristo garantir que onde houver cristãos haverá um oásis de misericórdia. Quando cada pessoa assumir o compromisso de cultivar um coração misericordioso será então possível avançar na conquista efetiva da paz. O programa de vida de quem quer contribuir com a construção de um mundo pacífico inclui a compaixão e a solidariedade. Vive-se um tempo oportuno para cultivar esses valores, pois o Natal é a mais terna expressão da misericórdia de Deus, que vem ao nosso encontro. Pela coragem da experiência de cultivar a proximidade com outras pessoas é que se pode fazer do Natal fecunda celebração da paz. Os pactos e acordos de representantes e dirigentes de nações, de grupos ou de segmentos variados da sociedade não substituirão jamais a inscrição da misericórdia como fundamento da aliança entre pessoas, com força para irmanar corações. Cultivada a misericórdia,nasceráum mundo pacífico. Deus oferece seu Filho Amado para que no Natal se celebre a paz.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Manifestação atrai inúmeras pessoas a BR-265


“Duplicar pra não matar!”. Esse é o clamor que ecoava na BR-265, próximo ao Trevo 111 da cidade de Itutinga, na tarde do dia 21 de dezembro. Assim, com os corações enlutados e contritos, várias famílias da região se uniram em uma só voz numa manifestação pacífica em prol da duplicação da BR-265. O momento foi marcado pela presença de várias autoridades civis e eclesiásticas, dentre elas o Ex.mo e  Rev.º  Bispo Diocesano Dom Célio de Oliveira Goulart; os sacerdotes das cidades de Nazareno(Padre Rondineli), Itutinga(Padre Victor), Prados(Padre Dirceu) e Dores de Campo(Padre Paulo); o Prefeito Municipal de Nazareno, Ex.mo  Sr. João Caetano Leite e a Ex.ma Prefeita Municipal de Itutinga, Sr.ª Alba Valério; vereadores de Nazareno e Lavras. Todos falaram durante a cerimônia lembrando os nomes de algumas vítimas da BR-265. “O movimento denominado "Somos Todos Vítimas da BR-265" começou em Itutinga por iniciativa do jovem Daniel Geder, que foi uma vítima sobrevivente de um acidente de trânsito. Daniel ganhou o apoio da lavrense Kelly Torres, que também foi uma vítima sobrevivente da BR-265. Os dois foram, aos poucos, conquistando adesões para o movimento. Eles deram início a uma petição virtual, criaram uma página na rede social Facebook e hoje o movimento extrapolou fronteiras e já ganhou adeptos em todo o Campo das Vertentes e Sul de Minas.” (Jornal de Lavras)  Diante das cinco mortes causadas em dois acidentes na BR-265 neste último final de semana, a mobilização além de requerer a atenção das autoridades para que aconteça a duplicação da BR-265, também buscou através de frases estampadas como “As famílias sãos destruídas pela BR-265” ou “É melhor perder um minuto na vida do que a vida em um minuto” a conscientização e a prudência dos motoristas no volante.  Após os pronunciamentos todo povo percorreu em passeata um pequeno trecho da BR-265, momento em que se paralisou a via por alguns instantes, fazendo com que grande número de caminhões se aglomerasse, uma oportunidade para que palavras de conscientização e de segurança no trânsito chegassem até aqueles que garantem sua sobrevivência nas estradas. Chegando até o centro de Itutinga os participantes formaram um grande círculo ao redor da praça e mais uma vez se colocaram em oração pelas vítimas e familiares da BR-265. Um ato que simbolizou a união e a sensibilização de todos por essa causa que visa impedir que belos sorrisos sejam cessados, que um futuro promissor seja interrompido, que mães e pais tenham seus filhos arrancados de seus braços. Para que vidas não sejam mais ignoradas como bem supérfluo, mas sim protegidas, amadas e preservadas como bem maior e única possibilidade de, através delas, edificar um mundo mais humano, menos trágico e com menos corações  que não precisariam estar enlutados.


Monsenhor José Hugo celebra 60 anos de dedicação à Santa Igreja

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A celebração das Bodas de Diamante Sacerdotal do Monsenhor José Hugo de Resende Maia, em comemoração aos seus 60 anos de dedicação à Igreja, aconteceu no último sábado,12, na Igreja Matriz de Santo Antônio, em Lagoa Dourada. A cerimônia, realizada pelo bispo diocesano de São João del-Rei, Dom Célio de Oliveira Goulart, e pelo bispo emérito, Dom Waldemar Chaves de Araújo, contou com a presença de cerca de 40 padres de toda a região, de membros da Pastoral Familiar e do Apostolado da Oração, além de diversos moradores da cidade. Juntos, deixaram repleta a Igreja Matriz dedicada a Santo Antônio. Monsenhor José Hugo nasceu em Resende Costa e se ordenou padre em 1955. Dos seus 60 anos de ministério, apenas cinco foram em sua cidade natal, enquanto 55 anos foram à frente da Paróquia de Santo Antônio, em Lagoa Dourada. Segundo o atual pároco do município, Padre José Walter de Carvalho, as Bodas de Diamante são uma marca histórica, não só para a Igreja, mas para toda a comunidade. “O Padre José Hugo tem um grande legado em Lagoa Dourada. São valores morais, éticos e de fé, que a cidade toda encara como exemplo. A atividade paroquial não é como uma profissão, que a pessoa exerce até se aposentar. É uma vocação, que se leva para vida toda”, destacou. Durante seu discurso, o Irmão Redentorista José Domingos de Vasconcelos, associou a riqueza da cidade com a vida sacerdotal, frisando que, assim como o nome de Lagoa Dourada veio do ouro - antes explorado na cidade - hoje existe também um diamante da vida sacerdotal. A cerimônia contou também com as palavras do prefeito Antônio Carlos Chaves de Resende, e da Coordenadora da Pastoral da Família, Cláudia Cristina de Miranda Melo Andrade.

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Natal: um encontro que se torna história - Por Dom Fernando Mason

Bispo de Piracicaba (SP)

Desta vez não falemos diretamente do Natal. É que “Natal” é a celebração grata de uma presença que gera e rege uma comunidade chamada “Igreja” e, nela, rege inúmeras pessoas, chamadas cristãs. Isto é, concretamente o Natal se torna Igreja com sua história, se torna pessoas também e cada uma com sua história. O que é a Igreja? Para ter acesso à estrutura interna da Igreja é bom partir daquilo que rezamos no Credo: creio na “santa” Igreja. Os santos da Igreja nos revelam a estrutura interna da própria Igreja. Usualmente, quando dizemos ‘Igreja’ pensamos em um edifício ou em uma instituição. Esta concepção não percebe a extraordinária realidade, a dinâmica, as lutas, as derrotas, as vitórias da Igreja. Pois a Igreja é uma terrível aventura, humana e divina ao mesmo tempo. Um diálogo-aventura, um diálogo-risco, um encontro-diálogo entre Deus e homem, entre homem e Deus, através dos séculos. A Igreja é a luta laboriosa, penosa e tenaz para que aconteça aquele encontro do qual o Natal é celebração. Nessa luta, dirige-se o chamado de Deus a cada indivíduo, aos povos, cada vez novo, diferente em cada época da história. Chamado que evoca, convoca, provoca, arrasta ao encontro com Ele. Se pudéssemos intuir tudo a partir da interioridade humana, haveríamos de ver as lutas, os sofrimentos, a decadência, o pecado, a inquietação, a saudade, a dedicação, o amor, a esperança, nos quais, através dos quais, cada homem, cada comunidade, cada povo, sem descanso, se confronta com Deus, é por Ele chamado, atingido, impregnado e atraído. Essa aventura, esse diálogo, esse encontro no qual Deus nos toma como parceiros, esta aventura do encontro entre Deus e homem, esta Vida: isto é a Igreja. Mas se passarmos em revista a Vida da Igreja através da História, quanta miséria humana, quanta estreiteza, hipocrisia, mesquinhez, quanta coisa pecaminosa descobrimos ali! Isto é então a Igreja santa de Deus, a Igreja de Jesus Cristo? Como resposta a Igreja apresenta os santos, isto é, as pessoas que foram perpassadas e transformadas pelo encontro com aquele cujo Natal sempre de novo celebramos. Apresenta os santos, mas não no triunfalismo orgulhoso e sim na humilde confissão da Misericórdia de Deus. Os santos são a confissão da Igreja que reconhece humildemente a sua condição humana e proclama que somente Deus, que somente seu Amor, seu Poder tem a última palavra nessa aventura perigosa, mas fascinante de diálogo entre Deus e homem. Se a Igreja canoniza um santo, então sabemos que nele a Boa Nova de Cristo se tornou a plenitude da vida, sem esquecer que a vida de cada santo, cada qual na sua singularidade, foi uma aventura humana, dura e perigosa, um salto corajoso no Mistério escondido. Cada santo é um homem talvez fraco, limitado, avarento, covarde, violento. Cada santo é filho do seu povo, com todos os defeitos e todas as virtudes da sua raça, da sua nação. Cada santo é filho da sua época, impregnado de anelos, esperanças, angústias, inquietações e cegueiras da sua situação histórica. Este homem concreto é colocado diante da decisão de aceitar a luta apaixonada e apaixonante da busca de Deus, de entrar no diálogo de encontro com ele, de escorar e responder à sua provocação, na qual Deus com o seu Amor pronunciará a sua última palavra. O santo não é santo apesar de suas fraquezas e seus pecados. Antes o é na sua fraqueza, na sua humanidade-abismo, porque ele, do fundo do seu ser, assumiu radicalmente a sua sorte, o seu destino humano; e é nessa sua situação única, nesta sua história que tentou viver a aventura do diálogo de encontro com Deus até o fim. Que pelo Santo Natal de seu Filho Jesus o nosso Deus pronuncie a sua última Palavra de realização e plenitude sobre cada um: um Feliz e Santo Natal.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Natal: visibilidade da Misericórdia de Deus - Por Dom Airton José dos Santos

Arcebispo Metropolitano de Campinas
Presidente do Regional Sul 1

Eis que chega o Senhor dos senhores: Seu nome será Emanuel, o “Deus-conosco”.
A Igreja, em sua liturgia, nos proporciona um belo e edificante itinerário espiritual. Abrindo as portas com o Advento, somos motivados a olhar na direção de Belém e querer chegar lá para contemplar a luz da misericórdia divina que resplandece no mistério da encarnação. Na bula de proclamação do ano da Misericórdia, o Papa Francisco recorda: “A misericórdia é a responsabilidade de Deus por nós”(MV 9). Experimentamos este amor divino no encontro de nossa humanidade com aquele Menino deitado numa manjedoura. A vivência do ano da Misericórdia vai nos aproximar do mistério de amor que o Senhor Deus nutre por cada um dos seus. A sociedade, já secularizada e em vias de se tornar paganizada, vai, aos poucos, deixando de lado a prática concreta das obras de misericórdia. O ‘Ano da Misericórdia’ será oportunidade de nos aproximarmos da misericórdia de Deus, na medida mesma em que formos bons e misericordiosos para com as pessoas que nos rodeiam. A festa do Natal, que se aproxima, será uma oportunidade clara para recordarmos o Salmo 136 que nos diz: eterna é a sua misericórdia, pois com o nascimento do Filho unigênito de Deus, temos a certeza que Seu Amor e Sua misericórdia nos conduzem pelos caminhos do mundo, até nosso destino último, a eternidade. Augurando a todos felicidade e paz, desejamos-lhes um Natal resplandecente para que, junto de suas famílias, parentes e amigos, a exemplo da gruta de Belém, sejam irradiadores da Luz que é Cristo. Auguramos ainda que o Ano Novo que se aproxima não nos ponha medo, mas seja um desafio a ser enfrentado com fé e esperança.

Dia 21 de dezembro - Memória de São Pedro Canísio

São Pedro Canísio nasceu em Nimega, atual Holanda, mas então parte da Alemanha naquele tempo. Isto no ano de 1521. Canísio é a latinização de Kanijs. Seu pai foi prefeito de Nimega e encaminhou seu filho para estudar Direito. Cursou estudos em Colônia e Lovaina para formar-se como advogado sem, no entanto, descuidar de sua espiritualidade (tendo em vista suas frequentes visitas ao Mosteiro dos Cartuxos). Descobrindo o seu chamado com o auxílio de um padre jesuíta, Pedro Canísio tornou-se o primeiro jesuíta alemão, tendo entrado na Companhia de Jesus em 1543. Recebeu a ordenação sacerdotal três anos mais tarde. Nesse mesmo ano publicou as obras de S. Cirilo de Alexandria, sendo o primeiro livro mandado imprimir por um jesuíta. Foi teólogo do Concílio de Trento e um grande pregador e professor. Exerceu a sua docência sobretudo em Inglostad, Viena, Augsburgo, Innsbruk e Munique. Organizou a sua Ordem na Alemanha, fazendo dela o instrumento valioso para a reforma católica contra o protestantismo. Foi um dos iniciadores da imprensa católica. Profundo devoto da Santíssima Virgem, Pedro Canísio foi conselheiro de Príncipes, Núncios e Papas. Das 36 obras que compôs, as mais célebres são os seus três Catecismos (1555-1556 e 1558), largamente difundidos por toda a cristandade até o século XIX. O denominado “Catecismo Mayor”, em 221 perguntas e respostas, alcançou pelo menos 130 edições. O Papa Leão XIII chamou-lhe mesmo o “segundo Apóstolo da Alemanha, depois de S. Bonifácio”. 
Faleceu em Friburgo, na Suíça, a 21 de dezembro de 1597. O Papa Pio XI canonizou-o a 21 de maio de 1925, declarando-o ao mesmo tempo Doutor da Igreja.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Natal: uma Igreja em saída - Por Dom Emanuel Messias de Oliveira

Bispo diocesano de Caratinga (MG)

O Natal está chegando! Luzes, enfeites, propagandas, lojas cheias de novidades, crianças com olhos brilhantes esperando seus presentes, crianças com olhos tristes porque não sabem se haverá algo para comer amanhã! Para muitos Natal é só mais uma festa de família e presentes. Afinal, Natal é presente ou presença? O comércio inverte tudo e investe tudo. O importante é vender! Mas para quem vive a fé na encarnação da Palavra eterna que saiu do Pai – Jesus – a visão é outra. O importante é a presença. Que presença? A presença de Jesus no meio de nós. O presente é o símbolo da presença. A segunda pessoa da Santíssima Trindade nasce do ventre de Maria – a virgem imaculada, preparada pelo Pai para ser a mãe do seu Filho. Jesus sai da casa do Pai – o céu – e vem habitar na casa dos homens – a terra. Ele está no meio de nós. Ele é presença em nossa vida. É o grande presente do Pai para resgatar e alegrar o coração não só das crianças, mas de todos os seres humanos. Primeiro, Jesus nasceu de Maria Santíssima por obra do Espírito Santo, agora, ele quer nascer no coração de cada pessoa por obra do mesmo Espírito. O Espírito Santo nos transforma através do sacramento da Penitência e nos dá um coração missionário. Assim como Jesus não ficou no seio de Maria, mas saiu para entrar no coração de cada um de nós, através do anúncio da Boa Nova. Agora, ele quer inundar nosso coração de luz e nos ajudar a sair de nós mesmos para fazermos sua luz brilhar no coração dos nossos irmãos, sobretudo dos mais afastados. Depois que o arcanjo Gabriel anunciou a Maria que ela seria a Mãe do Filho do Altíssimo, ela saiu para uma visita de ajuda à sua parenta Isabel que estava no sexto mês de gravidez de João Batista. Muitos – crianças, jovens, adultos, idosos – esperam a nossa saída ao seu encontro com uma palavra amiga, de esperança, de paz, com um gesto de ajuda como o de Maria. Que aprendamos como Maria a sair para levar Jesus aos mais distantes, (quem sabe!) até com um presente, para marcar esta presença forte e transformadora do Menino Jesus dentro de nós.

Dia 20 de dezembro - Memória de São Domingos de Silos

Os santos da Igreja de Cristo foram verdadeiros luzeiros para o mundo, pois levaram com sua vida e palavras a Luz do Mundo que é Jesus Cristo. São Domingos nasceu em Cañas, vila da província de Navarra (Espanha), isto no ano 1000, dentro de uma humilde família cristã. Quando o pai do pastorinho de ovelhas Domingos enxergou a inclinação do filho para os estudos religiosos, tratou logo de encaminhar Domingos para a formação que o levou – por vocação – ao Sacerdócio. Ordenado Sacerdote, passou mais de um ano na família e depois viveu dezoito meses na solidão. Com o passar do tempo entrou para a família beneditina, ingressando no mosteiro de Santo Emiliano, onde logo foi feito mestre dos noviços pelo abade do mosteiro. Em seguida, foi encarregado de restaurar o priorado de Santa Maria de Cañas. Após isso, foi feito prior do mosteiro de Santo Emiliano. Um dia, o príncipe de Navarra, sem dinheiro para as suas guerras, veio ao mosteiro exigir uma contribuição exorbitante. Os monges estavam dispostos a ceder, mas o prior deu uma recusa humilde e categórica. Fugindo da vingança do príncipe, Domingos exilou-se em Burgos onde Fernando Magno, rei de Castela e Aragão, recebeu o fugitivo em seu palácio. São Domingos retirou-se, todavia, para um eremitério fora da cidade. O rei pensou então no mosteiro de São Sebastião de Silos, quase abandonado, e deu-o ao recém-chegado, a 14 de janeiro de 1041. Na Ordem de São Bento, São Domingos de Silos descobriu seu chamado a uma contemplação profunda e ações que salvassem almas, sendo assim recebeu de um anjo em sonho a promessa de 3 coroas que significavam: uma por ter abandonado o mundo mal e se ter encaminhado para a vida perfeita; outra por ter construído Santa Maria de Cañas e ter observado castidade perfeita; e a terceira pela restauração de Silos. De fato, esta última coroa se realizou perfeitamente, pois durante os 30 anos de pai (abade) no mosteiro de São Sebastião em Silos, este local tornou-se centro de cultura e cenáculo de evangelização para a Igreja e o Mundo. O abade de Silos faleceu a 20 de dezembro de 1073, entre os seus numerosos filhos espirituais e assistido pelo Bispo de Burgos. Foi sepultado no claustro. São Domingos amado pelo povo e respeitado por reis e rainhas, operou em vida e também depois da morte muitos milagres, os quais provaram com clareza o quanto se encontra no Céu tão íntimo, quanto buscava ser aqui na terra. Em 1076, o Bispo de Burgos transferiu o corpo de São Domingos para a igreja de São Sebastião. E a abadia foi perdendo pouco a pouco o nome de São Sebastião para adotar o de São Domingos.